Novembro Azul

Novembro Azul: informação, prevenção e cuidado para a saúde do homem

Mais do que uma campanha, um convite para cuidar da saúde

Novembro Azul é um período dedicado à conscientização sobre a saúde masculina e, especialmente, ao câncer de próstata. A campanha ajuda a colocar em pauta um assunto que ainda é cercado por dúvidas, receios e, muitas vezes, pelo adiamento da procura por atendimento médico.

Falar sobre o câncer de próstata é importante porque a doença é o câncer mais incidente entre os homens no Brasil, quando desconsiderados os tumores de pele não melanoma. Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no país. Isso representa aproximadamente 30,5% de todos os casos de câncer estimados entre os homens, excluindo o câncer de pele não melanoma.

Em outras palavras, são mais de 200 novos casos estimados por dia no Brasil.

No cenário mundial, a dimensão também chama atenção. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 milhão de homens foram diagnosticados com câncer de próstata em 2024, e aproximadamente 420 mil pessoas morreram em decorrência da doença no mesmo ano. Atualmente, o câncer de próstata é o segundo câncer mais frequentemente diagnosticado entre os homens no mundo.

Esses números mostram por que informação, acesso à saúde, diagnóstico adequado e tratamento oportuno continuam sendo tão importantes.

 

 

Por que o risco aumenta com a idade?

A idade é um dos principais fatores de risco para o câncer de próstata. Segundo o Ministério da Saúde, nove em cada dez homens diagnosticados no Brasil têm mais de 55 anos.

O risco também pode ser maior para homens que possuem histórico familiar da doença, principalmente quando pai, irmão ou outro familiar próximo teve câncer de próstata em idade mais jovem.

Outro fator associado ao maior risco de doença avançada é o excesso de peso corporal.

Por isso, cuidar da saúde ao longo da vida é fundamental. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e manter o peso adequado são atitudes importantes para a saúde como um todo e podem contribuir para a redução do risco de diversos tipos de câncer.

É importante, entretanto, entender que não existe uma única medida capaz de evitar todos os casos de câncer de próstata.

 

Câncer de próstata pode não apresentar sintomas

 

Um dos desafios relacionados à doença é que, especialmente em suas fases iniciais, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas.

Quando surgem alterações urinárias, como dificuldade para iniciar ou interromper o fluxo de urina, necessidade de urinar muitas vezes, principalmente à noite, sangue na urina ou outros sintomas, é importante procurar avaliação profissional.

Esses sinais, entretanto, não significam necessariamente câncer. Problemas benignos da próstata também podem provocar sintomas semelhantes.

Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa e definir a necessidade de exames complementares.

 

E o PSA e o toque retal?

 

O PSA é um exame de sangue que mede uma proteína produzida pela próstata. Já o toque retal permite ao médico avaliar características da próstata que podem ajudar na investigação de alterações.

Mas é importante esclarecer uma questão: PSA e toque retal não devem ser tratados como exames que todos os homens assintomáticos obrigatoriamente precisam realizar todos os anos.

O Ministério da Saúde e a OMS não recomendam o rastreamento populacional indiscriminado do câncer de próstata em homens sem sinais ou sintomas. Isso acontece porque os exames podem apresentar resultados alterados mesmo quando não existe câncer e, em alguns casos, levar à investigação e ao tratamento de tumores que talvez nunca causassem problemas ao longo da vida.

A decisão sobre realizar ou não exames para investigação deve ser individualizada e discutida com um profissional de saúde, levando em consideração idade, histórico familiar, fatores de risco, sintomas, benefícios e possíveis riscos.

Informação também é uma forma de prevenção.

 

Quando o tratamento termina, o cuidado continua

 

Receber o diagnóstico e passar pelo tratamento do câncer de próstata pode representar uma mudança importante na vida do homem.

Dependendo do caso, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia ou outras estratégias, definidas pela equipe médica de acordo com as características da doença.

No caso da prostatectomia, uma das possíveis consequências é a incontinência urinária, que pode interferir diretamente na rotina, na autoestima, na autonomia e na qualidade de vida.

É nesse momento que a reabilitação ganha um papel importante.

 

Fisioterapia pélvica: parte importante da reabilitação

 

A fisioterapia pélvica pode contribuir para a recuperação funcional de homens submetidos ao tratamento do câncer de próstata, especialmente nos casos de incontinência urinária após a cirurgia.

O trabalho pode envolver avaliação individualizada, orientação, treinamento dos músculos do assoalho pélvico e outras estratégias terapêuticas definidas pelo fisioterapeuta de acordo com as necessidades de cada paciente.

O objetivo não é simplesmente “fortalecer a musculatura”. É ensinar o paciente a reconhecer, ativar e utilizar adequadamente os músculos do assoalho pélvico, favorecendo o controle urinário e a retomada das atividades do dia a dia.

Estudos científicos recentes reforçam essa importância. Revisões sistemáticas e metanálises mostram que o treinamento dos músculos do assoalho pélvico pode favorecer a recuperação da continência urinária após a prostatectomia, principalmente nos primeiros meses de recuperação. A orientação e o acompanhamento profissional também são importantes para garantir que os exercícios sejam realizados corretamente.

A recuperação, porém, varia de pessoa para pessoa e depende de diversos fatores, incluindo o tipo de tratamento realizado e as condições clínicas individuais.

 

Fisioterapia também é cuidado com a qualidade de vida

 

alar sobre reabilitação é falar sobre muito mais do que sintomas.

A perda involuntária de urina pode fazer com que o homem deixe de sair de casa, evite atividades sociais, tenha receio de trabalhar ou praticar exercícios e passe a conviver com insegurança e constrangimento.

Por isso, a fisioterapia pélvica tem uma função que vai além da recuperação muscular: ela pode ajudar o paciente a recuperar confiança, autonomia e qualidade de vida durante o processo de reabilitação.

Questões relacionadas à função sexual também podem fazer parte da recuperação após o tratamento do câncer de próstata. Nesses casos, o acompanhamento deve ser individualizado e integrado às demais áreas da equipe de saúde. A fisioterapia pode fazer parte desse processo de reabilitação, embora os resultados variem conforme o tratamento realizado e as condições de cada paciente.

Fonte: https://santacasadiadema.org.br/2026/10/26/novembro-azul-informacao-prevencao-e-cuidado-para-a-saude-do-homem/

 

O Sinpospetro-Campinas apoia o Novembro Azul e pede aos trabalhadores que façam exames de prevenção para evitar doenças que possam ser irreversíveis.